Arquivos Mensais: Dezembro 2003

A gota de água

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“Uma gota de água cai no chapéu de James Mulligan. Sua mulher, Sara Mulligan, censura-o por, numa manhã como essa, ter posto chapéu. James Mulligan tira o chapéu e arremessa-o ao chão. A mulher pisa-o.
Uma gota de água…

Y tu mama tambien com O Público

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Novo gesto de simpatia por parte dos rapazes d’O Público: “Y tu mamá también” de Alfonso Cuarón.
Há muito que queria ver este filme. Está hoje nas bancas.

Quotidiano Delirante (tomo 1)

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Quinta-feira, 10 da manhã: Carmen entra no edifício do tribunal. Consigo, traz a convocatória que recebeu no correio. Desorientada, aproxima-se de um indivíduo que fuma encostado a uma parede:

CARMEN: A sala 3A, por favor? Convocaram-me por causa de uma questão

Premeditações

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Jazz e eléctricos

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Já não me lembrava de andar no 28. No Domingo comprei um módulo e sentei-me atrás do motorista. Aprendi que o eléctrico usa areia nos travões e revisitei um trajecto que, apesar dos apesares, só me traz boas memórias.

A…

Igrejas de gelo

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Aqui no bairro, as igrejas são de gelo. É por isso que as pessoas rezam baixinho, para que não estale…

A lucidez assusta-me

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Voltei a sonhar-te comigo, hoje.
Na verdade, nunca me parece um sonho, porque pouco ou nada muda… Apenas essa tua desconfiança, que me deixa tão pouco à vontade, parece desvanecer e, de repente, apercebo-me de que é apenas a…

Waiking Life

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Há coisa de 15 dias, vi finalmente o Waking Life
Tinha já uma ideia relativamente clara de como seria a narrativa bem como do aspecto gráfico invulgar (o filme foi integralmente filmado com uma câmara “de amador”, uma Sony TRV900, e posteriormente ilustrado por 30 artistas), porque há já algum tempo que visito o site do filme, mas mesmo assim fui surpreendido pela positiva.
A história é muito simples, quase um pretexto para tudo aquilo que se vai desenrolando: um rapaz vê-se preso num sonho lúcido do qual parece não conseguir acordar. No decurso da acção, vai interagindo com personagens que “dissertam” sobre o que é ou não real, sobre a forma como percebemos o que nos envolve e como isso afecta a nossa interacção com os outros.
O filme acaba mesmo por ser muito denso, porque estas dissertações chegam a ser bastante profundas o que, no meu caso, me remeteu para uma segunda visualização (que ainda não tive oportunidade de concretizar). Em minha defesa, devo salientar a adiantada hora aquando da primeira investida no dito cujo e também a não menos importante ausência de legendas em Português…
Seja como for, é um bom filme a descobrir!

Dublin, 1981

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TOM WAITS :: Bounced ChecksAparentemente, este álbum nunca chegou a ser editado em cd. Segundo li no site oficial do Tom Waits, só existe em LP ou cassete e há muito que se encontra fora de circulação. Eu, na verdade, não tive grande dificuldade em encontrá-lo, mas nunca se sabe…
Bounced Checks é uma espécie de compilação de alguns temas já bem conhecidos (Heartattack and Vine, Tom Traubert’s Blues, entre outros), dois takes alternativos e um único tema original: Mr. Henry.
Para mim, a preciosidade das preciosidades deste álbum (isto apesar de Mr. Henry ser uma belíssima canção) é a versão ao vivo de “The piano has been Drinking”. Gravada em Março de 1981 em Dublin, esta versão, mais falada que cantada, é marcadamente ébria (estou consciente de que esse é um estado habitual do Waits, mas a particularidade do tema em questão faz com que o registo pudesse até ser intencional), e é absolutamente viciante.
Pena é que as restantes faixas sejam iguais aos originais, porque as outras duas versões são boas: Jersey Girl e Whistling past the Graveyard.
Em geito de teaser, fica a transcrição da letra, tal como foi apresentada há 22 anos em Dublin:

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Merry Christmas, Mr Bush!

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Santa ou Saddam? Descubra as diferenças…
É incrível o ar inofensivo do novo(?) Saddam. Parecia uma cobaia amestrada, a deixar-se catar. Confesso-me enternecido…
Melhor prenda de Natal para o Ocidente, seria dificil. O pai Natal esmerou-se mesmo este ano.
E o pequeno Dabaya, o caprichoso petiz Yankee, que se tem portado tão bem… merecia um bom presente!
Merry Christmas, Mr Bush!

Os coxos dançam sozinhos

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(…) vou para a fila de táxis das chegadas internacionais. Estamos num dia bom, há pouca gente, não tenho de esperar muito. É melhor deixar esta brasileira idiota passar à minha frente, quero apanhar um Mercedes Benz, são os meus

Cale e a origem do amor

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Ouvi pela primeira vez o piano de John Cale, na sala 1 d’A Comuna – Teatro de pesquisa, algures em 1998 (pouco tempo depois da comemoração dos 26 anos de existência daquele espaço).
Tinha aceite o desafio de fazer as luzes e o som para um monólogo chamado “Benji”, a partir de uma régie minúscula que pendia do topo da sala, rente ao tecto, num dos cantos do fundo, por cima da plateia.
Foi o meu primeiro emprego pago, mas na verdade teria feito de bom grado o meu trabalho mesmo que não houvesse dinheiro envolvido.

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Acordei adulto

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Todas as manhãs me doíam as costas. Começava aqui em baixo, na base da coluna e vinha por aí acima até à nuca que, com o tempo, se foi curvando de subserviência.
Arrastava-me até ao escritório e depositava-me na…

Um leito para o meu amor

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Uma destas noites, levanto-me da cama e, de pés descalços para que não me oiças, vou até à cozinha resgatar o martelo da caixa de ferramentas.
Depois volto com o mesmo cuidado com que te deixei, e prego-te à…

56-34-UU

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A Dona Maria Filomena pede desculpa, mas não pôde mesmo ficar à sua espera. Eu confesso que também não. É Dezembro e lá fora faz um frio que não se pode.
Mas não esteja preocupado, que eu e um…