Arquivos Mensais: Fevereiro 2004

Carl de Keyzer

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Carl de Keyser | O Manancial da Noite
Valeria a a pena visitar apenas pelo site, mas o portfolio deste fotógrafo de 46 anos é simplesmente genial. Espreitem a área Books.

Nick Cave em concerto “protocolar”

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Talvez os preços proibitivos do concerto tenham marcado o tom para aquela que foi uma noite cheia de protocolo, com um público tímido e um artista reservado. Nick Cave entrou pontualíssimo, acompanhado por apenas três músicos: Jim White, Norman Watt-Roy Martin P. Casey no baixo, Jim Sclavunus na bateria e um surpreendente Warren Ellis, capaz de transformar o seu violino numa guitarra eléctrica zangada e reverbativa. A formação violino – baixo – bateria, aliada à voz grave de Nick Cave, fez-me lembrar por mais do que uma vez a melancolia dos Tindersticks de Stewart Staples.

A nova “fórmula” resultou num registo mais cru do que o habitual (quase como se o público assistisse a um ensaio), com novas versões de temas antigos como Watching Alice” (de “Tender Prey“), “Lucy” (de “Good Son“) “Sad waters” (de “Your Funeral… My Trial“) e “The singer” (composto por e em homenagem a Johnny Cash, do álbum “Kicking Against the Pricks“).

Esta intimidade contrastava porém com alguma coisa… algo faltou para quebrar o gelo que separava o músico de um público apático, silencioso e relutante em aplaudir ou reagir à música que o envolvia. “You’re very quiet”, queixou-se Nick Cave pouco tempo depois do seu primeiro comentário nessa noite: “You can applaud…”.

Tinham-nos dito que, na noite de Terça-Feira, o concerto tinha sido algo de extraordinário, com uma energia capaz de desencadear três encores. Fernando Magalhães, do jornal O Público escrevera: “O público, escusado dizer, adorou, entrando em delírio quando Cave se aproximou da boca de cena para cumprimentar os fãs, incluindo uma rapariga em transe depois de ter conseguido ser beijada na boca pelo cantor.” Um inegável contraste com a tepidez generalizada de Quarta-Feira, o último concerto da Tour.

A certa altura o Público pareceu querer reagir, com pedidos de músicas e alguns assobios, mas a verdade é que, quando o concerto acabou, foram precisos mais de dois minutos de aplausos para trazer de novo os músicos ao palco. E se o primeiro se podia considerar o encore mais difícil da história da música, o segundo (e último) não lhe ficou atrás…

Turista acidental

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Ontem deixei o carro ao cuidado da berma e fiz-me ao passeio. Apercebi-me, por exemplo, que desconhecia o novo mecanismo de portas automáticas no metro e que há já quase três anos não andava num transporte público.
Senti-me uma…

Par lui-même

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Palavras houvesse para definir o Sujeito, melhor diria difícil de encontrar:
“To Tiago,
Meu Caro Amigo,
Enquanto espero pelas pessoas com quem vou almoçar, por razões de serviço, lembrei-me da bicicleta. Estou em pé a reflectir e…

O peso da minha insignificância

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Na gaveta, encontrei um papel sem data. Uma folha A4, dobrada ao meio, limpa com excepção de algumas letras, a azul:
O peso da minha insignificância
A música tocava. Cabia-nos aprender a dançar. É claro que importa definir os…

Reticências

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O que é que se faz quando não se tem nada para fazer?
Retomam-se projectos antigos, repiscam-se ideias, dorme-se muito e olha-se pela janela para um bairro que de dia nos parece estranho por só o conhecermos de noite.…

Jazz intimista

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Diane: “What is that record? It’s terrific!”
Peter: “It’s Art Tatum and Ben Webster.”
– Excerto de diálogo retirado do filme September (1987), de Woody Allen.

Carta de amor

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“Bébézinho do Nininho-ninho
Oh!
Venho só quevê pâ dizê ó Bébézinho que gotei muito da catinha d’ella. Oh!
E tambem tive munta pena de näo tá ó pé do Bébé pâ le dá jinhos.
Oh! O

2004, um ano de despedidas?

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Vivendo, fumando ou cantando, 2004 parece ser um ano de despedidas.

Ainda o Ghost World

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Seymour (Steve Buscemi) colecciona discos antigos de blues, jazz e ragtime. Conserva o seu expólio, que soma já mais de 1500 Lp’s, com a dedicação e respeito próprios de um aficcionado.

Ao que parece, o hobby deste personagem foi…

Ghost World

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O suburbio é um universo frio e distante que não acolhe nem distingue ninguém. A massificação é, também aqui, implacável e força-nos a conviver com a “normalidade” despudorada da vizinhança.
Lembro-me de ter sentido a suburbia de Chicago particularmente desertificada, sitiada pelas grandes distâncias que a apartavam de todo e qualquer destino num raio de 15 km, mas o vazio propriamente dito acaba por ser um fenómeno universal.
Numa sátira brilhante a esta (a)normalidade (aqui retratada no contexto americano), Ghost World de Terry Zwigoff conta a história de Enid, uma adolescente assombrada por um espírito inquieto num “mundo fantasma” onde tudo parece irremediavelmente enfadonho.
Produzido por John Malkovich e baseado na Banda Desenhada Underground homónima de Daniel Clowes, conta com a participação de Thora Birch, Scarlett Johansson e Steve Buscemi e pode ser comprado por 9 Euros na Fnac.

Lição

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“Não nos podemos sentar e fechar-mo-nos perante o que acontece fora do que nos rodeia. As coisas mudam, a paisagem varia. Isolar-mo-nos e resistir ao inevitável só nos magoa a longo prazo. Vê onde eu quero chegar?”
– Excerto…

A Minha Vida

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“Quase gosto da vida que tenho. Não foi fácil habituar-me a mim. Tive de me desfazer das coisas mais preciosas, entre elas de ti. Sim, meu amor, tive de escolher o caminho mais fácil. O dinheiro também tem a sua…

Briefing

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Não dói nada. E é preciso muito pouco. O trabalho vai inundando a sala e todos se atarefam com a sua parte bolo, numa tentavia desesperada de se manterem à tona de água. O ar no escritório vai escasseando e,…

Passeando na costa do castelo

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“As texturas da cidade,
paridas todas
nas rugas salinas
dos velhos do cais.
A velha sofrida,
parada no preto suado
da varanda-quarto-parede.
Sentada, esquecida,
olha espreitando
o Sol do nosso tempo,