
Enquanto esperávamos pelo Luís, para dar início a mais um ensaio do “Nunca nada de Ninguém“, a Augusta abriu a mala e etregou-me um CD.
- Acho que vais gostar.

Enquanto esperávamos pelo Luís, para dar início a mais um ensaio do “Nunca nada de Ninguém“, a Augusta abriu a mala e etregou-me um CD.
- Acho que vais gostar.
«É um novo projecto liderado por J.P. Simões e Sérgio Costa, ambos pertencentes aos Belle Chase Hotel, e vai fazer a sua estreia discográfica em Março através do álbum “Exílio”. Valsas, rumbas, boleros e outros estilos exóticos cantados em português
…
Há coisa de dois meses apareceu lá por casa por intermédio de um amigo da S. um EP melancólico de Walter Hidalgo, de seu nome “Tanguetnia“, que não consigo enjoar. Já tentei de tudo… Oiço-o incessantemente no carro, ao computador, em casa e mesmo assim parece-me que gosto cada vez mais dele.
Já aqui escrevi sobre este músico argentino por diversas vezes como consequência das suas invulgares prestações no Bar A Barraca. O que eu não disse – porque não sabia – é que o site de Walter Hidalgo existe (por enquanto só se encontra disponível a versão espanhola). Apesar de ser refém de uma modestidade gráfica que não faz justiça ao gabarito do artista, o site tem pelo menos o mérito de apresentar os músicos que com ele trabalham, a sua biografia, agenda de espectáculos e um excerto de uma das faixas do famigerado CD.
Apesar da capa de Tanguetnia prometer o lançamento do álbum homónimo para Outubro de 2003, não estou certo se de facto isso chegou a acontecer…
Deixo para já a letra da faixa 4, “Uno” de Enrique Santos Discépolo, um dos meus temas preferidos deste EP.
Esta versão, com os arranjos acústicos de Ramon Maschio e a voz grave de Walter Hidalgo, supera mesmo o original.

“As coisas sonhadas só têm o lado de cá… Não se lhes pode ver o outro lado… Não se pode andar à roda delas… O mal das coisas da vida é que as podemos ir olhando por todos os lados… As coisas de sonho só têm o lado que vemos…”
Fernando Pessoa

Por mérito de um amigo, dei ontem por mim no Alvaláxia para assistir à antestreia de Belleville Rendez-Vous.
Devo dizer que quando entrei na sala 4 e me deparei com o ecrã gigantesco, jamais imaginei possível que a projecção tirasse partido de toda aquela extensão de tela. Mas a tecnologia tem destas coisas…
O parque de estacionamento do Alvaláxia é uma espécie de deserto subterrâneo onde não se encontra ninguém. Só lá estão os funcionários (poucos), porque são obrigados, e os incautos, porque são ignorantes. Escusado será dizer que me perdi quando entrei e me vi Grego (e depois Filisteu) para sair.
Mas o filme valeu por tudo isto. Mudo mas universal, Belleville Rendez-Vous é um retrato satírico de uma América obesa e implacável (há mesmo quem o critique por um anti americanismo declarado), onde uma máfia opulenta e poderosa subjuga tudo e todos. Com uma bizarria a lembrar Delicatessen e animações pensadas ao pormenor, vale a pena espreitar.
O filme estreia amanhã, dia 25 de Março.

“Sheikh Yassin was a dangerous, extremist Islamic idealogist. I believe that he was a threat not only to Israel, but to the entire region,” (…) “I believe the Middle East without Sheikh Yassin, in the long run, will be a better place to live.
(…) “There might be some difficulties momentarily, but we are convinced that by eliminating this threat to peace, we will improve conditions in the Middle East in the future.”
- Avi Pazner, porta-voz do governo Israelita.
“Whoever decided to kill Yassin decided to kill hundreds of the Zionists,”.
- Izzedine al Qassam, braço armado do Hamas.
– Fonte: CNN.com
O tempo está zangado connosco, meu amor. Na rua chove e faz muito frio. Quase tanto como dentro de nossa casa.
Ontem à noite não consegui dormir. As persianas, sacudidas pelo vento, batiam desesperadas à janela para que as…
Essa constante negação do teu corpo, como se não existisses, numa abstracção total de quem és, que não te deixa sentir, não te deixa respirar deixa-me profundamente revoltado. Não pode ser, menina! Não te podes trazer assim quando me trazes…
Eis que o dilema de ontem se dissipa com um simpático email da Rádio Marginal (98.1 FM):
“(…) a música em causa intitula-se, de facto, Lou´s Blues e é da autoria do senhor Lou Donaldson, pertence ao disco «New Faces, New Sounds» (1952) edição Blue Note.”
Uma raridade, ao que parece. Não o consigo encontrar em lado nenhum. Ficam os detalhes:
Lou Donaldson
New Faces, New Sounds (1952)
1 – Roccus
2 – Things We Did Last Summer
3 – Cheek to Cheek
4 – Lou’s Blues
5 – Sweet Juice
6 – If I Love Again
7 – Down Home
8 – Best Things in Life Are Free
Estou convencido de que os saxofones que abrem a rúbrica “5 minutos de Jazz” de José Duarte na TSF e na Antena 2 são familiares à grande maioria do público radiofónico.
Todas as vezes que ouvia a inconfundível introdução up-beat, questionava-me quem seria o músico responsável por aquelas notas irresistíveis, enquanto me divertia a imaginar o resto da melodia, arriscando sequências que cantarolava até ao carro.
Um destes dias, ouvi a versão completa na Rádio Marginal (que tem passado um jazz bastante competente em frequência 98.1, alternado com um 80′s revival menos consensual) e apressei-me a aumentar o volume do rádio.
Era capaz de jurar que o locutor anunciava “Loose Blues” de Bill Evans, enquanto os meus colegas me pediam desesperadamente que mudasse de estação (o jazz por aqui não é popular…), mas depois de ter resgatado o álbum percebi que me equivocara.
No entanto, e à semelhança do que se passa com a maioria dos cds deste músico Norte Americano, trata-se de um belíssimo álbum: com Zoot Sims no sax tenor, Jim Hall na guitarra, Ron Carter no baixo, Philly Joe Jones na bateria e, claro, Bill Evans ao piano. Vale bem a pena espreitar.
1. Loose Bloose
2. Loose Bloose [Alternate Take]
3. Time Remembered
4. Funkallero
5. My Bells
6. There Came You
7. Fudgesickle Built for Four
8. Fun Ride
Entretanto escrevi um e-mail à Marginal, na esperança de esclarecer este mistério herteziano de uma vez por todas.
Frank settled down in the Valley
and he hung his wild years on a nail that he drove through his wife’s forehead
He sold used office furniture out there on San Fernando Road
and assumed a 30,000…
E os títulos da da 4ª série de DVD’s do Público são…
América Proibida (American History X – 1998)
Amor Cão (Amores Perros – 2000)
O que é que eu faço com os meus minutos? – Indagou Rogério, em frente ao espelho enorme do Hall de entrada do Hotel River Palace. Ajeitou o nó raquitico e teimoso da gravata preta e voltou a sentar-se para…
Latitude
0Para além de um imensurável fosso cultural, aprofundado e alargado pela força das armas americanas, o sentimento de injustiça é de tal ordem, que chega mesmo a legitimar aos olhos do iraquiano comum um acto barbárico como este.
Estamos cada vez mais longe uns dos outros.