Confesso sentir alguma dificuldade em escrever sobre a revista holandesa Eiland. Primeiro, porque não é verdadeiramente uma revista… depois porque os sonhos que contém são difíceis de descrever.
Eiland é o projecto conjunto dos artistas holandeses Tobias Schalken e Stefan J.H. van Dinther (os seus sites merecem uma visita). Inicialmente publicada independentemente pelos 2 artistas e por Stefan van der Heijden (que entretanto abandonou o projecto), Eiland viu a publicação do seu 3º número assegurada pela Bries, uma editora Belga especializada na edição de Banda Desenhada alternativa escrita em Inglês.
Com um total de 4 edições “nas bancas” e uma periodicidade esporádica, cada número da Eiland assemelha-se mais a um livro de Banda Desenhada do que a uma revista. Creio que, também aqui, o formato terá sido mais uma forma de experimentação do que outra coisa.
Não se espere encontrar nestes 4 números uma forma tradicional de contar estórias: as tiras são lidas tanto na vertical como na horiozontal e existem mesmo casos em que duas estórias decorrem em paralelo sendo que, para serem totalmente compreendidas, têm que ser acompanhadas em simultâneo. Alguns episódios cobrem mais do que um número e é frequente a mesma estória reaparecer, reinventada, algumas páginas adiante.
Mas o que torna Eiland tão especial é uma espécie de poesia visual que está presente em todos os desenhos e que dota as narrativas de uma estranha intemporalidade. Os temas escolhidos e a sensibilidade com que são abordados, tantas vezes sem palavras, são verdadeiramente únicos e alargam claramente as fronteiras da ‘BD’.
Para além de Eiland, Tobias Schalken e Stefan J.H. van Dinther publicaram também os livros Balthazar part 1 (por Tobias T Schalken) e CHRZ Silkscreen (por Stefan van Dinther).
A Experimentar.
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4 Comentários
Eiland
Confesso sentir alguma dificuldade em escrever algo sobre a revista holandesa Eiland. Primeiro, porque não é verdadeiramente uma revista… depois porque os sonhos que contém são difíceis de descrever. Eiland é…
Os sites são um espetáculo, apetece mesmo comprar as revistas, se calhar vou mesmo faze-lo.
Acho que não ficarás decepcionado. Eu estou a pensar comprar um dos livros.
Tenho os números 3 e 4 da Eiland lá em casa (emprestados) e são absolutamente deliciosos.
Percebo agora o que não vi lá em casa!
é verdadeiramente magnífica a forma de contar estórias e a criatividade com que são contadas…
O site é também magnífico.
A “simplicidade” dos desenhos é enternecedora, ameaçadora e fortíssima.
Obrigada por me teres mostrado mais isto.