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MAUS I & II de Art Spiegelman
Quando uma amiga me falou de Persepolis, um relato autobiográfico da vida de Marjane Satrapi (enquanto criança no Irão) disperso por três tomos de Banda Desenhada, fiquei tão interessado que me apressei a comprar o 1º volume (o único traduzido para português) na Fnac, por 8 Euros. O livro é extraordinário em todos os sentidos. as ilustrações são deliciosas e a forma inocente e verdadeira como a história é contada, dá ao leitor uma perspectiva única sobre os acontecimentos que tiveram lugar naquele país na década de 80.
Escusado será dizer que em 2 noites apenas devorei o pequeno livro, o que me remeteu para outras leituras online sobre a autora e os restantes tomos, ainda por traduzir. Foi numa destas incurssões que pela primeira vez li sobre MAUS de Art Spiegelman, 2 livors que terão constituído uma fonte de inspiração para Persepolis.
MAUS I
Art Spiegelman retrata os judeus como ratos e os nazis como gatos, registando todos os eventos que lhe são relatados pelo pai à luz dessa relação predador-presa. O cuidado como pormenor destes relatos é notável e as histórias que eles encerram são por vezes aterradoras.
Uma faceta deste(s) livros que me agradou particularmente, foi a participação do Autor enquanto interveniente na história. Apesar de Art Spiegelman só ter nascido em 1946, depois da Guerra, e não ter por isso testemunhado os eventos descritos pelo pai, viveu com ele durante os 32 subsequentes. A relação difícil de ambos faz também parte deste livro, uma vez que a acção “viaja” constantemente do passado para o presente e vice-versa.
A meu ver, isto não só enriquece o livro (porque nos ajuda a compreender Vladek e a forma como a Guerra o transformou, numa espécie de “follow-up” em tempo real), como também ajuda o leitor a digerir a dura realidade dos anos de fuga e, posteriormente, de encarceramento.
MAUS II
Apesar das ilustrações destes livros não serem necessariamente as melhores que tenho visto, está muito bem escrito, com uma clara preocupação com o pormenor e rigor do que é descrito. Não que isto diminua Art Spiegelman enquanto ilustrador: apesar de não ter ainda lido outros livros do autor, a pequena história incluída no 1º volume de MAUS, revela bem as suas capacidades.
Apenas mais uma nota: a Fnac (Chiado) disponibiliza estes livros tanto no inglês original como na edição da Difel, em português (a que eu comprei). A encadernação é muito fraca (alguns dos exemplares em exposição tinham já a capa descolada…) mas a tradução está bastante fiel. Costumo ser esquisito com estas coisas e não creio ter razões de queixa.
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