Saímos do bar à noite, perto da 1h00. Conheci G., o grego, nesse bar, nessa noite. Amigos comuns. Quando nos despedíamos, oferecemos boleia ao G.. O grego não aceitou. Que não era necessário e que não ia já para casa. Estava perto do armazém e, por isso, iria aproveitar para um ensaio. Intrigámo-nos com o armazém (já sabíamos que tocava piano). E porque nos sentíamos bem, fomos lestos na oferta da nossa companhia – sinal inequívoco da hospitalidade portuguesa ;^) – para o referido ensaio. O Grego anuiu e gostou da ideia.
O que me esperava, superou qualquer expectativa:
Perdido na zona portuária contígua à 24 de Julho, mora um armazém que engoliu um piano. G. abriu as portas do colosso com uma chave de arrecadação e convidou-nos a entrar. Éramos 4, mas não conseguimos encontrar interruptores. O Grego assegurou que, junto ao piano, se encontravam velas. Segui-mo-lo, às apalpadelas. Acendemos as velas e destapámos o piano.
O imenso espaço que nos envolvia sorvia a pouca luz das velas. Era impossível distinguir as paredes ou medir a distância que me separava da rua. Curioso por natureza, assim que senti coragem, dei uns passos em volta.
De dia, O armazém servia de sala de ensaios a um grupo de teatro que havia deixado adereços e beatas num cinzeiro improvisado, esquecido em cima da mesa de trabalho.
As primeiras notas soltas levaram-me de volta ao piano.
Passámos algumas horas aí. Tempo sufiente para que eu esquecesse o vazio que nos envolvia e as distâncias que, por esta altura, se haviam condensado ao espaço que separava cada um de nós.
Das cantigas surgiram ideias e a vontade sincera de repetirmos o irrepetível.
Enquanto saía do armazém para a rua, tive a nítida sensação de que nada do que acabava de viver era real.
Foi o que disse ao Grego.
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4 Comentários
já percebi de onde conheces o grego ;)
o armazém é mesmo um local mágico. e ouvir o grego a tocar naquele ambient – principalmente quando está também a petra a cantar -, reveste tudo aquilo de uma beleza surreal.
Obrigado pelo link para o meu site! Virei cá espreitar de vez em quando… :)
(Bruno Espadana – http://www.livejournal.com/users/guil/)
Sim, memorável.
Quanto ao link: merecia ser linkado. :-)
Abraço.
:)
Tiago, vim aqui parar através do amigo Bruno, aí de cima. Sou a Petra.
Tocaste-me com as tuas palavras e quando o G.voltar, se não te importares, vou enviar-lhe este link.
Pode ser que me descubras algures no mundo que esconde o link que o Bruno aí deixou. Vou continuar a visitar-te por cá.
beijo,
Petra
Se foi real, e pelos comentários alguém poderia dizer que sim, tenho a dizer que me pareceu uma boa ficção. Não é a realidade que está sempre a dizer que faz melhor que a outra? :)
ah! e em relação à tua pergunta sobre exteriores ao site poderem figurar nos friends, lembro-me de ter lido, faz pouco, algo por estas bandas que dizia já ser possivel faze-lo para users do LifeJournal. Lembrei-me por ver o blog do bruno no dito, no comentário a cima. Não sei como se faz, mas se quiseres saber posso tentar encontrar a resposta a isso.