Arquivos de Categoria: Ficção

Ausência ou Mulher-Fantasma

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Sinto saudades tuas quando estou contigo.

Declarações Periódicas

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- Há quanto tempo não me dizes que me amas?
- Há quanto tempo sabes que te amo?
- Não interessa, sabe bem ouvi-lo de vez em quando…
- Queres uma declaração periódica, é isso?
-…

Alegoria

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- É pá, estás mais gordinho…
- Sete quilos e seiscentas, meu caro.
- Trá-los contadinhos portanto?
- Até à última grama: trata-se de um esforço consciente. Uma espécie de referência alegórica – em tempo real –…

Férias

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- Então essas férias?
- Acabaram, está visto.
- Para onde foste?
- Para longe…
- E que tal?
- Não me apetecia voltar.
- Vais ver que vai correr tudo bem.
- Cansa-me, esse teu optimismo bacoco.

Paternidade

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Ao telefone, de Londres, o meu pai comenta que tem exames médicos marcados para a semana que se avizinha: “O Dr. Stewart acha que tenho o fígado ligeiramente inchado…”. Oiço-lhe medo na voz. Digo: “Dentro de dois dias estou aí”.…

Biografia consequente (ou poesia para uma vidinha deprimente)

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Viveu a infância admoestado, os teens desesperado, os 20 acelerado, os 30 cansado, os 40 entediado, os 50 acomodado…
Enfartou aos 60, com um sorriso aliviado.

A travessia

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passo a passo,
eu pressinto um regresso.
é uma vertigem familiar…
acaba-se-me o dia e eu ponho-me a pensar
que importante não é tanto o chegar,
é mais este caminhar

Mãos

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mãos dadas. apertadas. mãos brancas. prata de anéis.
dedos nos dedos. dedos entrelaçados. dedos que procuram dedos.
palmas das mãos para cima. mãos na cara. mundo através de dedos.

quatro mãos. duas a duas. mãos esquecidas. pousadas. perdidas.

The constant reminder

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If I kill you now, will you release me?
Will it erase all that I’ve been?
Can I be born from you? Through you?
For you are the memory of me
The constant reminder
of…

Bem vindo

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Chegaste. Mala verde-garrafa na mão.  Metros e metros de filme de memórias para contar. tinhas estado muito longe. onde a terra acaba, dizias sempre.

Chegaste. a casa diferente. o jardim diferente. o corpo diferente. passou quanto tempo? já não sabemos…

Conversa de café

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- Ontem foi há demasiado tempo – disse o gorducho, encostado ao balcão do café.
Bendita seja a poesia dos homens simples!

Lições em metalomecânica

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António Cardoso, aprendiz de metalomecânica, ouvia o seu mestre com atenção: «As peças da máquina principal deverão ser de encaixe perfeito. Se as extremidades não forem perfeitamente concordantes, terás problemas no longo prazo.»

António concordou, fascinado com a complexidade da…

Obrigado, meu amor

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À fuga para noites de fumo,
aos cafés com cigarros
aos pesados acordes do piano
à tua voz escandalosamenmte infantil
à minha abrangente incapacidade de dar
à felicidade sublime dos anos recentes
à surpresa…

Colinho

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O teu lado direito.
em particular o teu ombro
branco, quente e infinito
refúgio da Humanidade
O teu ombro é o meu lugar.

Sonâmbulismo

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Uma vez acordado, o homem não tem como distinguir o ser do querer ser.