Benvindo(a) ao Manancial da Noite
O Manancial da Noite é um blog Português sobre fotografia, música, cinema, internet e design.
Categorias
Blogroll
Subscrever
Publicidade
Posts Recentes
Arquivo
Posto de Escuta
Tags
7ª Arte alternativa animação animais Ao vivo Banda Desenhada Bill Callahan bola comédia concerto crianças criatividade cuba cultura depressão desporto Escrita espanha EUA Euro 2004 Fernando Pessoa folk futebol indie inspiração jazz Jenny Holzer Livros magnum morte Notícias nova iorque Público Política portugal preto e branco quotidiano religião rotina smog sucesso tom waits urbano viagem video
Clepsidra Canalha
O metro apinhava-se de gente. Clepsidra desapertou um botão da camisa para deixar sair o calor. «No metro, à hora de ponta, é sempre verão», pensou. Aproximou-se da vala entre as plataformas e espreitou o túnel do comboio. Não corria uma aragem. Olhou as beatas junto aos carris, imóveis e abandonadas, verdadeira vala comum de cinzas e filtros de cigarro. Sorriu. «São como as minhas memórias».
Subitamente, pareceu-lhe ouvir o seu nome ecoar na câmara subterrânea: «Clepsidra! U-uh!». Estremunhada, olhou em redor. Na outra plataforma, uma mulher pequenina acenava energicamente e oferecia-lhe um sorriso aberto. Clepsidra reconheceu-a de imediato: era a Raquel. Com algum esforço, levantou a mão direita e poiso-a, de costas, sobre o ombro, como se o calor lhe derretesse o gesto.
Do outro lado do gigante cinzeiro, Raquel respondeu. «Oláaa!! Olha, estás com muita pressa?». Na verdade, não estava, mas não era importante. O comboio chegou e Clepsidra não hesitou. Entrou na primeira porta e olhou para Raquel que desfazia lentamente o outrora franco sorriso.
Enquanto a carruagem se afastava, Clepsidra teve a nítida sensação de que também era o calor que derretia a expressão de Raquel, imóvel, sobre a plataforma.
Se gostou deste artigo, clique aqui para ler (aleatoriamente) artigos semelhantes.