Arquivos de Categoria: Ficção

Quando chegares a casa

0

Quando chegares a casa,
as luzes estarão apagadas
e o silêncio que te vou oferecer é indescritível de tão inimaginável.
Vais perguntar por mim
e eu não te vou responder.
Vou pedir-te que te sentes,

É a Puta da Realidade

0

Acordaste às 7:20 e saíste sem o café. Ainda não tinhas entrado no autocarro e já te ardia o estômago. Durante o trajecto, até ao centro, a dor transformou-se em azia e o teu humor coalhou.
Olhas em redor.…

O meu sonho

0

no meu sonho, 
tudo era assim, sem tempo.
expliquei-te que era do escruro,
que o frio gela os minutos.

mas tu voltaste a adormecer.

e eu sem nunca perceber
se tinha acordado,
se tinha adormecido…

Jonas, o rapaz volátil

0

Pobre Jonas, o rapaz volátil. A mana passeia-o na rua, guita atada ao sapato, sorriso aberto de criança que segura um balão. Gostam assim, ele ao sabor do vento, ela ao sabor do tempo.

Entram no parque pela rua de…

O pó das palavras

0

Em nossa casa o pó esconde as palavras.
Adensa com o tempo, denso e espesso,
das tuas gavetas
Fecham-se as janelas para guardar segredos,
todos os medos e degredos,
de anos em silêncio.
E…

Aos meus olhos

0

Sorrias enquanto falavas e as tuas palavras eram tudo.
Beijei-te várias vezes sem que desses por isso.
Às vezes, a beleza dói.

O centro do Mundo

0

Escrevemos extensos tratados ao longo destes quatro anos. Dia após dia, arquiva-mo-los meticulosamente em gavetas, trabalho árduo e penoso, mas absolutamente indispensável.
Subitamente, de gaveta em riste no centro do Mundo, paraste e choraste copiosamente.
Apressei-me a procurar…

Gabriela, a fronha e o abraço (Cont d’)

0

Na porta da casa de banho, falavam de amor. Meia dúzia de palavras a marcador encarnado e na gramática mais questionável, gravadas para a posterioridade. Gabriela leu várias vezes a frase. Não tinha a certeza de a compreender. Talvez não…

Gabriela, a fronha e o abraço

0

Quando Gabriela abriu os olhos, já o dia havia acordado fazia muito tempo.
A temperatura no quarto descera muito para além do razoável e Gabriela teve a nítida sensação de que era o ar que expirava que arrefecia o…

O esboço do tempo

0

Era uma vez um tempo onde tudo era pardo e os teus minutos não tinham pressa. Fundiam-se com os meus em horas onde nos perdíamos em rascunhos do que julgávamos ser o presente.

Clepsidra Canalha

0

O metro apinhava-se de gente. Clepsidra desapertou um botão da camisa para deixar sair o calor. «No metro, à hora de ponta, é sempre verão», pensou. Aproximou-se da vala entre as plataformas e espreitou o túnel do comboio. Não corria…