Arquivos de Categoria: Música

In memoriam

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«(…) Life is what happens to you
While you’re busy making other plans (…)»
John Lennon em “Beautiful Boy (Darling Boy)“, 1981.

Uma Outra História – Vários Artistas

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Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

– Excerto de “Inquietação” de José Mário Branco, aqui revisitado por J. P. Simões (Belle Chase Hotel, Quinteto Tati) e Miguel Nogueira.

Editado pela Fnac com vista a “celebrar a diversidade musical do Portugal de hoje”, ‘Uma Outra História‘ foi distribuído gratuitamente com o jornal O Público no dia 1 de Outubro de 2005 (dia mundial da música), reunindo 10 versões de temas nacionais e internacionais, assinadas por vários artistas portugueses.

Na verdade, o disco passou-me completamente despercebido até muito recentemente, quando a Rádio Radar (97.8 FM) começou a emitir este “Inquietação” do José Mário Branco, um tema que parece ter sido composto para a banda sonora da minha indagada existência.

De uma forma geral o CD está muito bem conseguido, com um alinhamento sólido e heterógeno, pelo que a Administração não podia deixar de aqui o recomendar.

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Daniel Melingo: Tangos Bajos

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«Del barrio me voy, del barrio me fuí
triste melodía que oigo al partir
voy dejando atrás todo el arrabal
en mi recuerdo
Rota la ilusión de mi esperanza
rota la razón de mi existir
y este corazón se quedó solo también
buscando su consuelo en el ayer.»

Num estranho equilíbrio entre Waits e Gardel, Daniel Melingo conseguiu a proeza deste “Tangos Bajos“, um disco que perpetua a mística da velha Buenos Aires nostálgica e abandonada, mas com uma espécie de ‘twist’ marginal.

A poesia ébria do crooner Argentino (que um dia integrou as fileiras da banda de Milton Nascimento) propaga-se por ruas estreitas, pejadas de personagens castiços que se acotovelam em bares sujos e apertados, pouco achados e muito perdidos nos confins mais inimagináveis da capital.

Por outras palavras, a perfeita prenda de Natal…

Premeditações III

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«(…) No matter how far wrong you’ve gone
You can always turnaround (…)»
Bill Callahan em “I’m new here“, de “A River ain’t too much to love“.

James Brown: Getting down to it

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getting-down-to-itNo final da década de 60, o rei do soul – Mr. James Brown – “got down to it” e gravou um disco de standards de jazz. Era inverno em Cincinnati, Ohio, quando o trio de Dee Felice se juntou à diva Marva Whitney no King Studios para a gravação de “Getting down to it“.

Foi lá que encontraram um James Brown sereno e recauchutado, em repouso do funk primordial, ansioso por experimentar os números de Sinatra (de cuja música era grande apreciador).

35 anos mais tarde, a Verve decide repiscar e remasterizar esta gravação para bem da Humanidade. Foi em Setembro, nos Estados Unidos. Em Portugal deve estar prestes a ser editada.

Have you seen Moe Tucker?

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“Between thought and expression lies a lifetime”
– Lou Reed (ainda Velvet Underground) em ‘Some Kinda Love‘, The Velvet Underground – 1969 (discografia absolutamente essencial).
Através de uma combinação irrepetível de nomes e datas relacionados com os Velvet Undergorund (que tenho revisitado na última semana), o Google levou-me até ao site oficial de Moe Tucker, baterista (e a voz de “Afterhours”) da lendária banda nova-iorquina.

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Callahan, com a graça de um cadáver

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Bill Callahan - Brotfabrik - Frankfurt am Main, Germany - 2008-05-21 | © Laurent Orseau

Bill Callahan - Brotfabrik - Frankfurt am Main, Germany - 2008-05-21 | © Laurent Orseau

Enquanto escutava “A River ain’t to much to love” a caminho do concerto de (smog) no Clube Lua na passada Segunda-Feira, questionava-me sobre se seria possível tocar aquelas músicas ao vivo. Há um elemento introspectivo muito forte na música de Bill Callahan (sobretudo neste último disco) que obriga a um certo recolhimento. Ouvir aquelas canções no meio de uma multidão de desconhecidos era algo que quase me incomodava.

Foi por isso com alguma apreensão que entrei no pequeno Clube Lua que, tão apropriadamente, mora junto ao rio Tejo.

Enquanto uma projecção algo duvidosa de pin-ups norte-americanas da década de 50 procurava entreter os presentes até à hora marcada, a radar fazia os possíveis por desanuaviar o ambiente de discoteca baffon, com uma banda sonora a preceito.

Callahan fez-se acompanhar por uma Joanna Newsom titubeante ao piano e um baterista (cujo nome não apurei) bem menos prolífico que o mestre Jim White (Dirty Three, Tren Bothers, Cat Power, Nick Cave, Will Oldham, entre outros ), que integrou os (smog) em “Supper” e “A River ain’t to much to love“. Estes dois comparsas precisavam constantemente de sinais de Callahan para acertar entradas e mudanças de ritmo, denotando uma descoordenação que por diversas vezes interferiu no espectáculo.

“Com a graça de um cadáver” – de olhar distante e tez impassível – Callahan ia mastigando as palavras, como se o registo grave da voz lhe magosse a garganta. Mas infelizmente a sua poesia não era alheia à fraca qualidade do som: quem não conhecia já de cor as letras extraordinárias de “A River ain’t to much to love” dificilmente as terá conseguido ouvir em condições, perdendo consequentemente a melhor parte do espectáculo.

É que, à semelhança do que acontece com a música de Leonard Cohen, também aqui os acordes servem o mero propósito de veícular uma prosa (muito) maior.

The Verve Unmixed Series

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A Rádio Marginal tem passado uma versão muito catita do “Speak Low” da Billie Holliday que despertou a minha atenção para os 3 discos da ‘Verve Remixed Series‘.
A colectânea é ecléctica, mas pouco consensual: se alguns remixes são agradáveis, outros deixam-me a suspirar pelas versões originais…
Claro que os atentos executivos da Universal contemplam todas as possibilidades e, uma vez que os direitos sobre as músicas da primeira triologia já estavam pagos, nada os impediu de lançar uma segunda compilação, sabiamente intitulada ‘The Verve Unmixed Series‘.
O alinhamentos dos discos ‘Unmixed‘ é exactamente o mesmo do dos ‘Remixed‘, com uma “única” diferença: todos os temas são apresentados nas versões Verve originais. Era, pois, difícil não acertar…

Dos gardenias para ti, Ibrahim

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ferrer

O cantor cubano Ibrahim Ferrer, um dos membros mais famosos do mítico grupo musical Buena Vista Social Club, morreu ontem aos 78 anos de idade, em Havana, anunciou a sua mulher, Caridad Diaz, à AFP.
Ferrer morreu às 17h20 locais (23h20 de Lisboa), no centro de investigações médico-cirúrgicas de Havana, onde estava internado há alguns dias por sofrer sintomas de uma gastroenterite, depois de um mês de “tournée” pela Europa, precisou Caridad Diaz. (…)

– Fonte: Jornal “O Público” (Continuar a ler »).

Mike Doughty: Haughty Melodic

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Desde a separação dos Soul Coughing em 2000, Mike Doughty – vocalista, guitarrista e mentor do quarteto de músicos norte-americano – não parou de trabalhar: nesse mesmo ano, editou o seu primeiro trabalho a solo, “Skittish” (posteriormente editado com o EP “Rockity Roll“), seguido de “Smofe + Smang” em 2002, uma edição limitada de um concerto gravado em Minneapolis.
Se o primeiro disco era composto integralmente por originais, o segundo repiscava alguns clássicos dos Soul Coughing, como “True Dreams of Wichita” ou “Janine“, e adensava a colecção de novas canções com preciosidades como “Sunkeneyed Girl“, “Grey Ghost” ou “Madeleine and Nine“.
São precisamente essas ‘gemas’ que “Haughty Melodic” pretende agora negociar…

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The Cultural Ambassador

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«Anyway, I was in Israel as a kind of cultural ambassador and there were lots of press conferences scheduled around the performances. The journalists usually started things off by asking about the avant-garde.
- So, what’s so good about…

White Lily

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«What Fassbinder film is it? The one-armed Man walks into a flower shop and says: What flower expresses Days go by and they just keep going by endlessly pulling you into the future. Days go by endlessly endlessly pulling you…

Someone Else’s Dream

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«You know those nights, when you’re sleeping, and it’s totally dark, and absolutely silent, and you don’t dream, and there’s only blackness, and this is the reason, it’s because on those nights you’ve gone away. On those nights, you’re in…

A vida numa proveta

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«I’m just a test-tube baby
I start out clean each day
I start out fresh and clean
I start out clean each day
I’m just a test-tube baby
I have a pinch of this