Arquivos de Categoria: Música

Surrealismo caseiro

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«(…) the first really strange stories I remember hearing were Bible stories. And these stories were completely amazing: about parting oceans, and talking snakes. And people really seemed to believe these stories. And I’m talking about adults. Adults, who mainly…

Photomaton

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roger_waters

«I’ve got some bad news for you sunshine,
Pink isn’t well, he stayed back at the hotel
And they sent us along as a surrogate band
We’re gonna find out where you folks really stand.»

David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e Roger Waters (a tez madura deu-lhe um look muito cool, a la Richard Gere) reunidos sob a chancela dos ‘Pink Floyd‘, após 20 anos de divergência, é algo a que nunca pensei assistir.
Talvez este seja o princípio de uma “nova amizade”…

Vashti Bunyan regressa ao estúdio

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35 anos após o lançamento do seu primeiro e único disco “Just Another Diamond Day” (considerado uma referência no panorama folk psicadélico), Vashti Bunyan regressou recentemente ao estúdio para gravar um novo álbum de originais.

Let’s Jazz

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lets-jazzAo já extenso currículo jazzístico de José Duarte, há agora que acrescentar o extraordinário legado musical que deixa ao género (e ao País), com a colecção “Let’s Jazz” que acompanha o jornal Público todas as quintas-feiras por mais 6,90 Euros.

A imensa dose de tempo e trabalho que José Duarte investiu nesta colecção – certamente que com a mesma dedicação obstinada que sempre se lhe reconheceu – resultou numa abrangente enciclopédia de Jazz, que julgo ser indispensável a qualquer apreciador deste “sobre-produto” do blues norte-amenricano.

Iron & Wine: Woman King

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womankingcoverÀ semelhança do que acontecera com o EP “The Sea and The Rhythm“, editado pouco tempo depois do extraordinário “The Creek Drank the Cradle“, Samuel Beam – o homem barbudo que personifica Iron & Wine – lançou em Fevereiro deste ano “Woman King“, um EP de 6 faixas que acrescenta cerca de 25 minutos de absoluta perfeição a “Our Endless Numbered Days“, o LP que o precedeu em Março de 2004.

Gravado em Agosto do ano passado, “Woman King” conta com a participação do não-tão-barbudo Brian Deck, em cujo estúdio havia também sido gravado o LP acima referido.

Com um folk alternativo comparável a nomes como (smog), Will Oldham ou Nick Drake, Iron & Wine é uma empreitada acústica que vale a pena explorar.

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Las canciones de Almodóvar

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É verdade que ao não editar nunhuma banda sonora até “Todo sobre mi madre“, Pedro Almodóvar pecou. Mas é preciso que se diga que “Las Canciones de Almodóvar” o aproximam de uma merecida redenção…

Em perfeita sintonia com o glamour dos seus filmes da década de 80, este disco é uma espécie de Ode ao que de mais Kitsch e piroso têm as suas histórias, reunindo alguns dos temas mais marcantes de “Tacones lejanos” (1990) – faixas 1 e 2, interpretadas por Luz Casal (‘Piensa en mí’ é porventura o melhor tema do disco), “Laberinto de Pasiones” (1982) – faixas 3 e 4 (da autoria do próprio Almodóvar, escritas em parceria com Macnamara), “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón” (1980) – faixa 5, “Entre Tinieblas” (1983) – faixas 6 e 7, “Matador” (1985) – faixa 8, “La flor de mi secreto” (1995) – faixas 9 e 10, “Mujeres al borde de un ataque de nervios” (1987) – faixas 11 e 12 (a interpretação quase teatral de La Lupe do tema ‘Puro Teatro‘ é inigualável), “Átame” (1989) – faixa 13, “La ley del deseo” (1986) – faixas 14, 15, 16, 17, 18 e 19, “Qué he hecho yo para merecer esto?” (1984) – faixas 20 e 21 e “Kika” (1993) – faixas 22 e 23.

Como diria o Mário Crespo, “Absolutamente, a não perder!”

Alinhamento:
01. Un año de amor – Luz
02. Piensa en mí – Luz
03. Suck It To Me – Almodóvar & Mcnamara
04. Gran Ganga- Almodóvar & Mcnamara
05. Estaba escrito – Monna Bell
06. Encadenados – Lucho Gatica
07. Salí porque salí – Cheo Feliciano
08. Espérame en el cielo – Mina
09. Ay Amor – Bola de nieve
10. En el último trago – Chavela Vargas
11. Soy infeliz – Lola Beltrán
12. Puro teatro – La Lupe
13. Resistiré- Dúo Dinámico
14. Voy a ser mamá – Almodóvar & Mcnamara
15. Satanasa – Almodóvar & Mcnamara
16. Ne me quitte pas – Maysa Mataraso
17. Susan Get Down – Almodóvar & Mcnamara
18. Lo dudo – Los Panchos
19. Déjame recordar- Bola de nieve
20. La bien pagá – Miguel de Molina
21. Nur Nichtaus Liebe Weinen – Zarah Leander
22. Luz de luna – Chavela Vargas
23. Se nos rompió el amor – Fernanda y Bernarda De Utrera

O referencial podre da língua portuguesa

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«(…)Contrariamente a Espanha o nosso grau de transversalidade cultural não aconteceu. Os anos 80 foram anos de abertura despudorada ao capitalismo e da não reflexibilidade ao que foi a revolução, um consequente corte abrupto com o lado rural de Portugal.…

Ode aos «Aleijados do conforto»

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«Vejo tanto olhar encafuado
Em automóveis bestiais
Casos graves de bem estar,
Por mais que tenham, nunca têm a mais.
Aleijados do conforto
Refugiados na T.V.
O pior não é estar triste,
O…

Walter Hidalgo: Tangetnia

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walter-hidalgo
De acordo com os responsáveis da produtora Depois das Ideias, Walter Hidalgo “regressou recentemente de Buenos aires, onde gravou o disco “Tangetnia” que para além dos clássicos (Gardel, Troilo), inclui material de Piazzola e também composições originais.”

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O exemplo vem de cima…

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«(…) Well, he didn’t know what to do so he just decided to watch the government and see what the government was doing and then kind of scale it down to size–and run his life that way. (…)»
–…

Laurie Anderson: United States Live

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«(…) I came home today and you were all on fire.
Your shirt was on fire, and your hair was on fire,
and flames were licking all around your feet.
And I did not know what to do!
And then a thousand violins began to play,
and I really did not know what to do then.
So I just decided to go out and walk the dog. (…)
»
Resultado de uma mistura invulgar de sonho e irrealidade, esta performance de Laurie Anderson – com 4 horas e meia (repartidas em 4 CD’s) – marcou o início da sua carreira discográfica, no início dos anos 80. Trabalhos subsequentes como ‘Big Science‘ ou ‘Mister Heartbreak‘ revisitam temas inicialmente compostos para esta estranha ópera de 4 actos.

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You Know Who I Am

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« I cannot follow you, my love,
you cannot follow me.
I am the distance you put between
all of the moments that we will be. (…)

Os tecno-shamãs do sonho retórico

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Nem mais, nem menos. Era assim que Ned A Raggett definia os Young Gods naquela que julgo ser a melhor apreciação crítica que alguma vez li de T.V. Sky, o portento neo-industrial que o trio de “Deuses suiços” editou em 1992.
Ontem acordei acossado pelas palavras de Franz Treichler em ‘Our House‘ e dei por mim a repiscar o disco antes de sair de casa. É incrível como este cd já tem 13 anos…
Libertador e escandalosamente ousado, T.V. Sky foi considerado um dos melhores discos rock (note-se que todas as guitarras são na verdade samplers) de ’92. Hoje, (ainda) é antídoto nostálgico.
Brindemos, pois: à vossa!

Rickie Lee Jones – Pop Pop

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Este disco está de tal forma instituído na minha ‘fonoteca’, que foi preciso confirmar os arquivos do Manancial da Noite, antes de escrever este texto. Era capaz de jurar que já o tinha feito antes…
Apesar de integralmente composto por standards de jazz sobejamente conhecidos (excepção feita para ‘Up From The Skies‘ de Jimi Hendrix), Pop Pop não se pode exactamente definir como sendo (estritamente) um disco de Jazz. As melodias, os tempos e o feel de cada tema são completamente reinventados, de acordo com uma ideia fundamental de simplicidade:
“I can’t remember when I decided on just guitar and bass. I was thinking about it for a couple of years, because I had practiced ‘Valentine’ with a guitar and bass when I lived in France and said ‘Oh, that’s really beautiful and different without a keyboard.’ I think I got the idea then and it was growing on me. [That sparer sound] is what I grew up with. My uncle and my dad used to play together all the time: they would sing those standards with the guitar so for me it’s the most natural sounding.
Com a participação (sempre especial) de Charlie Haden e uma tremenda dose de inspiração, Pop Pop é um registo absolutamente essencial.

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Vetiver ao vivo no Lux

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Os Vetiver (?), um projecto de Andy Cabic, Devendra Banhart, Alissa Anderson e Jim Gaylord, vão tocar ao vivo no Lux já no próximo dia 26 de Maio.
A banda norte-americana editou o seu primeiro disco ‘Vetiver‘ em 2004 que, ao que parece, foi muito bem recebido pela crítica.
O neo-folk dos Vetiver transcende o de Devendra Banhart, que partilha a composição dos temas com Andy Cabic, um músico inspirado por artistas como Tom Waits ou Nick Drake.
Quem ainda não conhece os Vetiver (ou Devendra Banhart) tem agora uma oportunidade única para se redimir… Os bilhetes já estão à venda.