Arquivos de Categoria: Música

Nouvelle Vague

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Nouvelle VagueDa autoria dos produtores franceses Marc Collin e Olivier Libaux, o projecto Nouvelle Vague (‘Bossa Nova’ em Português) revisita alguns dos principais temas da era pós-punk do início dos anos 80, despindo-as do seu registo pop para então as cobrir de violas, feminilidade e muito savoir-faire.
A ideia primordial consistiu em “esquecer por completo o background punk ou new wave de cada canção, manter os seu acordes fundamentais, trabalhar com cantoras (8 ao todo) que nunca ouviram as versões originais e metamorfosear por completo a natureza das composições, num registo que mistura bossa nova, jazz e pop anos 60)”.
O alinhamento conta com temas bem conhecidos de bandas como os Joy Division, The Cure, Depeche Mode, The Clash ou The Sisters of Mercy, que à primeira escuta, garanto, parecem irreconhecíveis.
Lançado em Agosto de 2004 (a atmosfera gasosa do disco é bem mais condizente com o azul abafado do verão do que com a chuva cinzenta de Novembro), Nouvelle Vague é um projecto interessante, que transcende o público New Wave, e que vale a pena experimentar.

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Fraternidades

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«(…) Eu matar não gosto muito
mas saudades é diferente
é como matar pulgas
alivia a gente (…)»
Sérgio Godinho, excerto de “O Porto Aqui Tão Perto” do álbum Canto da Boca (1981)

Lhasa de Sela de regresso a Portugal em Dezembro

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Photo by Filipa Lindholm
A cantora americano-mexicana Lhasa de Sela estará (novamente) em Portugal para 2 concertos, um em Lisboa no dia 6 de Dezembro na Aula Magna e outro no dia 7, na Casa das Artes em Famalicão.

O preço dos bilhetes varia entre os 17 Euros (anfiteatro) e os 20 Euros (doutorais) na Aula Magna e os 12 Euros em Famalicão.

‘Real Gone’ de Tom Waits

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Real Gone | Tom WaitsO por mim tão ansiado ‘Real Gone‘ é um misto de surpresa e decepção. Se algumas faixas perpetuam o ambiente “rural” de ‘Mule Variations‘, outras aproximam-se perigosamente do precipício experimental anteriormente aflorado em ‘Bone Machine‘. E digo perigosamente por esse ser precisamente o único álbum de Waits com o qual não me identifico.
De facto ‘Real Gone‘ afrofunda de forma dramática o uso da chamada ‘Human Beat Box‘, um processo rítmico baseado em vocalizações humanas, o que na minha opinião acaba por distorcer de tal forma a musicalidade de algumas canções, que as chega mesmo a esvaziar de qualquer sentido. Para quem gostou das músicas mais experimentais em ‘Bone Machine‘, este é provavelmente um problema a riscar da lista, mas eu confesso-me incapaz de apreciar a cacofonia gutural dessas faixas.
Ouvi o disco pela primeira vez há mais de 3 semanas atrás e fiquei tão zangado, que o pus de lado e quase o esqueci por completo. Ontem, porém, fiz o esforço consciente de o repiscar a caminho do emprego e confesso-me algo precipitado na minha reacção. Na verdade, também por ali se encontram músicas de grande “calibre” como ‘Sins Of My Father‘ ou ‘Make It Rain‘.

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We are ugly but we have the music

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Photo © Dennis Keeley 1995 (A&M Records)

(…) You told me again you preferred handsome men
but for me you would make an exception.
And clenching your fist for the ones like us
who are oppressed by the figures of beauty,
you fixed yourself, you said, “Well never mind,
we are ugly but we have the music.” (…)

Leonard Cohen, excerto de “Chelsea Hotel” do álbum New Skin for the Old Ceremony

Elysian Fields ao vivo no Santiago Alquimista

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Elysian Fields ao vivo no Santiago AlquimistaVerdade seja dita, ainda hoje disfruto do precioso serviço público que em tempos a XFM prestou na onda média portuguesa. A qualidade constante das suas emissões e a sua programação assumidamente alternativa, proporcionaram-me inúmeras descobertas musicais, numa época em que a palavra “internet” não passava ainda de um estrangeirismo cuja definição desconhecia quase por completo.
Em 1996, ano em que foi lançado o álbum de estreia dos Elysian Fields – ‘Bleed Your Cedar‘, ouvi pela primeira vez a voz perturbante de Jennifer Charles. O tema que que a ‘Xis’ escolheu foi ‘Fountains on Fire‘, uma música longa e enebriante que me pespegou aos altifalantes, de caneta em riste, pronto a registar o nome que defenia o que acabava de ouvir.
Os Elysian Fields vão actuar ao vivo no Café-Teatro Santiago Alquimista no próximo dia 30 de Outubro. Os bilhetes custam 12€ (pré-venda) e 15€ no próprio dia (reservas até à véspera do concerto pelo número 21 882 02 59).

A Jazzar no Zeca e outras pérolas jazzísticas

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Zé Eduardo Unit | A Jazzar no ZecaEsta manhã, na rádio, os 5 minutos de Jazz do José Duarte foram dedicados ao último disco do Zé Eduardo Unit intitulado “A Jazzar no Zeca“. Gostei da ideia (uma reinvenção jazzística da música do Zeca Afonso) e da sonoridade, de maneira que quando aqui cheguei à secretária me prontifiquei a descbrir um bocadinho mais sobre este álbum.
Não descobri muito mais – diga-se – mas acbei por tropeçar em dois ou três links que me parecem merecedores de destaque:
1) Improvisos ao Sul
Um bistro alentejano a transbordar de sugestões e dicas preciosas sobre as últimas gravações, concertos e outras efemérides subordinadas ao Jazz e ao Blues. Pelo que vi, parece-me ser de consulta indispensável. E “porque certos improvisos merecem ser ouvidos”, às Sextas-feiras, entre as 23h e as 24h, na Rádio Voz da Planície (104.5 FM – Beja) o Improvisos ao Sul invade as planícies amarelas com emissões hertezianas em azul.

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Ben Harper & The Blind Boys of Alabama: ‘There Will Be A Light’

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Ben Harper & Blind Boys | «After selling over 25,000 units in the US alone in the first two weeks since the release on 9/21/2004, “There Will Be A Light” featuring Ben Harper and The Blind Boys, remains the #1 selling Gospel CD in the US with a top 100 position on the pop charts for the second consecutive week as well. The much anticipated collaboration is also the #1 selling CD in in both France and Italy and was a Top 10 entry in Switzerland, Australia and Portugal’s pop charts.»
– October 2004, Rosebud News
Em minha opinião, este é um sucesso inteiramente merecido. A tonalidade gospel de “There Will Be A Light” acrescenta – finalmente – alguma novidade há já algo fatigada fórmula musical de Ben Harper.
É um facto que este moço canta que se farta, mas os rapazes do Alabama fazem-lhe perspontar o Soul como ninguém (salvo seja…). Excertos destas ‘iluminuras’ podem ser ouvidos no site oficial do Ben Harper.
Garantidamente, este é um disco que pode ser comprado de olhos fechados.

‘Wicked Grin’ de John Hammond

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John Hammond | Wicked GrinTropecei ontem à noite num documentário auto-biográfico de John Hammond, um músico norte-americano veterano do blues, que me reacendeu o interesse no personagem e me motivou a escrever este texto.

O John Hammond foi-me recomendado há coisa de 1 ou 2 anos pelo meu pai, a propósito da minha aficção por Tom Waits. Em 2001, aquele músico (que apresentou Dylan aos ‘The Band‘) editou um disco intitulado ‘Wicked Grin‘, onde reinventa canções de Waits junto às margens sinuosas do Mississipi.

Das 13 faixas que compõem o alinhamento, apenas ‘I Know I’ve Been Changed‘ (tema tradicional que conta com a prestação vocal de Waits) não foi composta por Tom Waits.

Goste-se ou não de Waits, se o blues lhe faz bater o pézinho, este é um disco a experimentar.

Receitas musicais avulsas: ‘A Naifa’

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A NaifaO Santiago Alquimista encheu no passado Sábado, dia 25, como eu nunca tinha visto, para receber “A Naifa“, o mais recente projecto de Luís Varatojo (Peste & Sida, Despe e Siga, Linha da Frente) e João Aguardela (Sitiados, Megafone, Linha da Frente).
Apesar de eu ser um incansável adepto da palavra ‘cutelo‘, devo dar aqui a mão à palmatória, porque o disco “Canções Subterrâneas” está um mimo.
A Naifa‘ barra 3/4 de guitarra portuguesa numa fatia grossa de baixo eléctrico, que é depois temperada com um sampler e regada com uma boa dose de fado. O resultado é uma espécie de Gotan Project a la portuguesa que, para quem não se importa de provar pratos atípicos, cai muitíssimo bem.

‘Intemporalidades’ ou ‘A Redundância’

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As semanas de intenso trabalho têm a virtude de compactar os dias numa espécie de unidade de tempo descartável. As manhãs fundem-se com as tardes e o mundo para lá destas paredes parece-me irremediavelmente acessório.
Parece paradoxal, mas do…

Big Science

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Laurie Anderson - Big Science«Coo coo it’s cold outside. Coo coo it’s cold outside.
Ooo coo coo. Don’t forget your mittens.
Hey Pal! How do I get to town from here?
And he said: Well just take a right where
they’re going to build that new shopping mall,
go straight past where they’re going to put in the freeway,
take a left at what’s going to be the new sports center,
and keep going until you hit the place where
they’re thinking of building that drive-in bank.
You can’t miss it. And I said: This must be the place.

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O temível Gato Esteves

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Yusuf Islam a.k.a Cat Stevens, nascido Steven Georgiou

” O cantor Cat Stevens foi detido na terça-feira pelas autoridades norte-americanas, quando estas se aperceberam que o músico voava de Londres para Washington, segundo notícia avançada pelo The Washington Post.
De acordo com o jornal, a aeronave da United Airlines foi desviada para a cidade norte-americana de Bangor, no estado do Maine, logo após os agentes americanos terem detectado a presença do cantor a bordo. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA adiantou que a detenção de Stevens se deveu a «questões de segurança nacional.»
Cat Stevens adoptou o nome de Yusuf Islam quando se converteu ao islamismo na década de 70. Desde então o músico consta de uma lista do governo norte- americano que proíbe determinados indivíduos de entrar em território dos EUA. ”
– Fonte: Disco Digital (notícia publicada a 22-09-2004).

The Stranger Song

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It’s true that all the men you knew were dealers
who said they were through with dealing
Every time you gave them shelter
I know that kind of man
It’s hard to hold the hand of…

Nick Drake – Made to Love Magic

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Made to Love Magic | Nick DrakeÀ semelhança de músicos como Jeff Buckley, fatalmente breves na sua genialidade, o talento singular de Nick Drake passaria quase despercebido, não fosse o caso de ter gravado 3 obras-primas, que o registaram para a posterioridade.
Nascido a 19 de Junho de 1948 em Rangoon, Inglaterra, Nick Drake viria a falecer com apenas 26 anos, vítima de uma overdose de anti-depressivos, a 25 de Novembro de 1974. Para o seu relativo anonimato terá contribuído a sua relutância, quase obcessiva, em tocar ao vivo. Ironicamente, foi precisamente em consequência de um concerto que deu em Cambrige que o seu nome foi indicado ao produtor Joe Boyd, com quem assinou contrato em 1968.

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