
Às vezes acontece. Vai-se ver um filme menos bom e, ao mesmo tempo, descobre-se outro que promete muito mais.
O trailer de Belleville Rendez-vous (Les Triplettes de Belleville (2003), no original) promete uma longa metragem de animação absolutamente irresistível, escrita e ralizada por Sylvain Chomet, com ilustrações deliciosas e uma banda sonora magnética, que me apressei a procurar.
Benoît Charest, um músico Canadiano apaixonado por Swing e Django Reinhardt, criou para este filme uma sonoridade “anos 20″ que mistura Paris Combo com Edith Piaf para dar origem a 19 faixas de um Jazz rápido e bem disposto.
Um filme a não perder, com uma banda sonora a preceito.

Talvez os preços proibitivos do concerto tenham marcado o tom para aquela que foi uma noite cheia de protocolo, com um público tímido e um artista reservado.
Diálogos sem Palavras
1Lá para o final da década de 90, depois dos incêndios no Chiado, da “Ecologia” de Sousa Cintra e do pontapé na cabeça de Cavaco Silva (que abria caminho numa sala repleta de gente gatinhando debaixo de uma mesa), um separador sugeria, em pano de fundo, algumas notas de Verdes Anos de Carlos Paredes. A música ficou-me na cabeça e a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa foi procurar o Dialogues, um álbum em que Charlie Haden teve o privilégio (e a humildade) de tocar com o mestre português.
Este album é, sem sombra para dúvidas, especial. Sobre os temas de Carlos Paredes, Charlie Haden improvisa sonoridades quentes com um contrabaixo contorcionista, que se funde com a guitarra com uma surpreendente naturalidade.
Fiquei ali a ouvi-los, a imaginá-los em estúdio, dois homens que não falam entre si, sem que com isso se deixem de compreender. O método obstinado, perfeccionista e concentrado de Paredes por oposição à pauta aberta, desgarrada de Haden…
Será que alguma vez se reencontraram? Trocarão correspondência? Saberá o músico americano que há já quase dez anos uma doença irreversível amarra o mestre a uma cama? Que não o deixa tocar…
Fica o testemunho de Rui Vieira Nery sobre a última gravação de Carlos Paredes nos estúdios de Paço d’Arcos da Valentim de Carvalho em 1993.
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