Encontrei recentemente uma referência ao cartoonista Bill Plymton numa revista de multimedia que me intrigou.
Vi alguns trabalhos dele em animação no curso de Argumento na Etic e asseguro-vos de que são muito bons (há um DVD dele à venda na Fnac que cobiço há já alguns meses).
Mas dizia eu que vi um artigo sobre ele. Em http://www.hairhigh.com/, Bill Plymton propõem-se a desenhar em directo (live brodcast numa webcam) aquela que parece ser a sua mais recente animação.
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Álbum da semana, “Supper” dos Smog é provavelmente o disco mais melódico de Bill Callahan. Pessoalmente, é um dos meus favoritos. Bem no topo da lista, junto de ” The Doctor came at Dawn” e “Red Apple Falls”.

Maria Leonor fora fazer a reportagem de uma manifestação de apoio a Salazar. Grande Multidão, a repórter faz perguntas entre os manifestantes. Encontra uma mulher, típica provinciana, e dirige-lhe o microfone: «Então, porque veio aqui?» A mulher responde: «Olhe, andaram lá na terra a pedir para a gente vir dar vivas ao… ao…» Rápida, Maria Leonor, atalha: «Salazar!» Radiante, a entrevistada repete: «Isso mesmo, Baltazar!»
Clepsidra Canalha
0O metro apinhava-se de gente. Clepsidra desapertou um botão da camisa para deixar sair o calor. «No metro, à hora de ponta, é sempre verão», pensou. Aproximou-se da vala entre as plataformas e espreitou o túnel do comboio. Não corria uma aragem. Olhou as beatas junto aos carris, imóveis e abandonadas, verdadeira vala comum de cinzas e filtros de cigarro. Sorriu. «São como as minhas memórias».
Subitamente, pareceu-lhe ouvir o seu nome ecoar na câmara subterrânea: «Clepsidra! U-uh!». Estremunhada, olhou em redor. Na outra plataforma, uma mulher pequenina acenava energicamente e oferecia-lhe um sorriso aberto. Clepsidra reconheceu-a de imediato: era a Raquel. Com algum esforço, levantou a mão direita e poiso-a, de costas, sobre o ombro, como se o calor lhe derretesse o gesto.
Do outro lado do gigante cinzeiro, Raquel respondeu. «Oláaa!! Olha, estás com muita pressa?». Na verdade, não estava, mas não era importante. O comboio chegou e Clepsidra não hesitou. Entrou na primeira porta e olhou para Raquel que desfazia lentamente o outrora franco sorriso.
Enquanto a carruagem se afastava, Clepsidra teve a nítida sensação de que também era o calor que derretia a expressão de Raquel, imóvel, sobre a plataforma.