Super 8 Stories, de Emir Kusturica

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Super 8 Stories, de Emir Kusturica
Durante os dias 1, 3 e 4 de Julho (3ª, 5ª e 6ªF), o documentário “Super 8 Stories”, de Emir Kusturica esteve em cartaz no Cine222, integrado na programação mensal daquela sala, ao cuidado da zero em comportamento.

O “Super 8 Stories” gira em redor da banda de Emir Kusturica, a “No Smoking Orchestra“, composta por um grupo heterógeneo de 6 músicos, entre os quais o baterista Stribor, filho de Kusturica.

Rodado em modo “backstage”, o filme retrata a vida da banda em digressão e em estúdio, intercalando imagens de concertos com alguns registos da vida familiar de Kusturica e de alguns dos outros músicos, o que dota o filme de algum intimismo.

Revisitei uma série de temas que faziam parte da banda sonora de “Gato Preto Gato Branco” e confesso que hoje já a ouvi 2 vezes. Só por isso, já teria valido a pena.

Mark Sandman (1952-1999)

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mark sandman

I’m free now to direct a movie
To sing a song
Or write a book about yours truly
How I’m so interesting, I’m so great
But I’m really just a fuck up and it’s such a waste

Cumprem-se hoje 4 anos sobre a morte de Mark Sandman, vocalista e mentor dos Morphine.

Numa manhã de Julho, em 99, comprei o Blitz e li – incrédulo – sobre o colapso cardíaco que o vitimou, sobre um palco italiano, em frente a uma multidão de fãs.

Fica a lembrança.

Clepsidra Canalha

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O metro apinhava-se de gente. Clepsidra desapertou um botão da camisa para deixar sair o calor. «No metro, à hora de ponta, é sempre verão», pensou. Aproximou-se da vala entre as plataformas e espreitou o túnel do comboio. Não corria uma aragem. Olhou as beatas junto aos carris, imóveis e abandonadas, verdadeira vala comum de cinzas e filtros de cigarro. Sorriu. «São como as minhas memórias».

Subitamente, pareceu-lhe ouvir o seu nome ecoar na câmara subterrânea: «Clepsidra! U-uh!». Estremunhada, olhou em redor. Na outra plataforma, uma mulher pequenina acenava energicamente e oferecia-lhe um sorriso aberto. Clepsidra reconheceu-a de imediato: era a Raquel. Com algum esforço, levantou a mão direita e poiso-a, de costas, sobre o ombro, como se o calor lhe derretesse o gesto.

Do outro lado do gigante cinzeiro, Raquel respondeu. «Oláaa!! Olha, estás com muita pressa?». Na verdade, não estava, mas não era importante. O comboio chegou e Clepsidra não hesitou. Entrou na primeira porta e olhou para Raquel que desfazia lentamente o outrora franco sorriso.

Enquanto a carruagem se afastava, Clepsidra teve a nítida sensação de que também era o calor que derretia a expressão de Raquel, imóvel, sobre a plataforma.

Bill Plymton

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Encontrei recentemente uma referência ao cartoonista Bill Plymton numa revista de multimedia que me intrigou.
Vi alguns trabalhos dele em animação no curso de Argumento na Etic e asseguro-vos de que são muito bons (há um DVD dele à venda na Fnac que cobiço há já alguns meses).
Mas dizia eu que vi um artigo sobre ele. Em http://www.hairhigh.com/, Bill Plymton propõem-se a desenhar em directo (live brodcast numa webcam) aquela que parece ser a sua mais recente animação.

Smog – Supper

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Álbum da semana, “Supper” dos Smog é provavelmente o disco mais melódico de Bill Callahan. Pessoalmente, é um dos meus favoritos. Bem no topo da lista, junto de ” The Doctor came at Dawn” e “Red Apple Falls”.

Eminentemente acústico, com ritmos lou-reed-isticos e loenard-cohenianos, “Supper” tem sido a minha banda sonora original nos movimentos pendulares da última semana.

Los Lunes Al Sol

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Los Lunes Al Sol
Extraordinário, este filme de Fernando Leon de Aranoa. Los Lunes Al Sol fala da luta desigual de um punhado de homens contra o desemprego, numa sociedade que os marginaliza.

O Drama destes homens é real, tal como os confrontos com a polícia o foram a quando do encerramento dos estaleiros Navais em Vigo. Há uma espécie de poesia subjacente a esta estória que deriva da pureza dos personagens. São pessoas genuínas tanto nas suas qualidades como nos seus defeitos. “A questão não é se acreditamos ou não em Deus. A questão é se Deus acredita em nós” parece ser a interrogação fundamental com que todos se debatem. Abandonados pelo estaleiro e pela vida que julgavam ter construído, estes homens são revoltados, irrascíveis e mal humorados.

Entre sonhos de jackpot na lotaria, da Austrália como terra prometida e promessas de crédito bancário, Los Lunes al Sol é um filme a não perder.

Indigen

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Por mero acaso, liguei a TV2 ontem à noite e apanhei o onda-curta, onde passaram este filme.
Da autoria de três finalistas do curso de infografia da Supinfocom, “Indigen” demorou 6 meses a desenvolver e o resultado final está disponível para download no site oficial do projecto

O Baltazar

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Maria Leonor fora fazer a reportagem de uma manifestação de apoio a Salazar. Grande Multidão, a repórter faz perguntas entre os manifestantes. Encontra uma mulher, típica provinciana, e dirige-lhe o microfone: «Então, porque veio aqui?» A mulher responde: «Olhe, andaram lá na terra a pedir para a gente vir dar vivas ao… ao…» Rápida, Maria Leonor, atalha: «Salazar!» Radiante, a entrevistada repete: «Isso mesmo, Baltazar!»

(Episódio contado por Eurico Santa Clara Amaro)  in Expresso de 05 de Agosto de 1995

Sábado no subúrbio

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Sábado no subúrbio. O tempo passa, lento, sobre a minha janela. Na rua, o alcantrão derrete. A náusea de calor propaga-se, em espasmos cadenciados que se vêem a olho nu. Os edifícios vomitam, um a um, traseuntes ociosos que se cumprimentam no passeio. Libertos da sua condição de vizinhos, estas pessoas parecem agora ganhar outra vida, à medida que empacotam a família no carro.
O impressionante take-away de veraniantes em fato-de-treino, depressa esgota o stock de habitantes e o subúrbio ganha um torpor estranho, uma dormência muito própria que, com o tempo, aprendi a saborear.

Tuvalu

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Vi esta noite um filme de Veit Helmer chamado “Tuvalu” que só posso recomendar. Uma história simples com personagens mudos mas muito bem construídos. Está visualmente muito próximo do Delicatessen (o cenógrafo – é comum aos 2 filmes) com imagem sépia na maioria das cenas. Esteve patente no fantasporto e vende-se na Fnac, para quem quiser experimentar.

Notas em Stock

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Saímos do bar à noite, perto da 1h00. Conheci G., o grego, nesse bar, nessa noite. Amigos comuns. Quando nos despedíamos, oferecemos boleia ao G.. O grego não aceitou. Que não era necessário e que não ia já para casa. Estava perto do armazém e, por isso, iria aproveitar para um ensaio. Intrigámo-nos com o armazém (já sabíamos que tocava piano). E porque nos sentíamos bem, fomos lestos na oferta da nossa companhia – sinal inequívoco da hospitalidade portuguesa ;^) – para o referido ensaio. O Grego anuiu e gostou da ideia.
O que me esperava, superou qualquer expectativa:
Perdido na zona portuária contígua à 24 de Julho, mora um armazém que engoliu um piano. G. abriu as portas do colosso com uma chave de arrecadação e convidou-nos a entrar. Éramos 4, mas não conseguimos encontrar interruptores. O Grego assegurou que, junto ao piano, se encontravam velas. Segui-mo-lo, às apalpadelas. Acendemos as velas e destapámos o piano.
O imenso espaço que nos envolvia sorvia a pouca luz das velas. Era impossível distinguir as paredes ou medir a distância que me separava da rua. Curioso por natureza, assim que senti coragem, dei uns passos em volta.
De dia, O armazém servia de sala de ensaios a um grupo de teatro que havia deixado adereços e beatas num cinzeiro improvisado, esquecido em cima da mesa de trabalho.
As primeiras notas soltas levaram-me de volta ao piano.
Passámos algumas horas aí. Tempo sufiente para que eu esquecesse o vazio que nos envolvia e as distâncias que, por esta altura, se haviam condensado ao espaço que separava cada um de nós.
Das cantigas surgiram ideias e a vontade sincera de repetirmos o irrepetível.
Enquanto saía do armazém para a rua, tive a nítida sensação de que nada do que acabava de viver era real.
Foi o que disse ao Grego.

O equívoco

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Acordei por engano esta manhã.
Equívocado, tomei um banho e depois o pequeno almoço.
Incauto, saí de casa. Não me questionei por um segundo sequer.
Se ficarmos muito quietinhos, cá dentro, o tempo encarrega-se de nós.