Ao vivo, From The Basement. Do extraordnário ‘In Rainbows‘ de 2008.
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A música dos Firewater, tal como o próprio alinhamento da banda (que durante dois discos contou com a bateria de Yuval Gabay – ex-Soul Coughing – e com os sussurros de Jennifer Charles,…

«I’ve got some bad news for you sunshine,
Pink isn’t well, he stayed back at the hotel
And they sent us along as a surrogate band
We’re gonna find out where you folks really stand.»
David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e Roger Waters (a tez madura deu-lhe um look muito cool, a la Richard Gere) reunidos sob a chancela dos ‘Pink Floyd‘, após 20 anos de divergência, é algo a que nunca pensei assistir.
Talvez este seja o princípio de uma “nova amizade”…
Talvez os preços proibitivos do concerto tenham marcado o tom para aquela que foi uma noite cheia de protocolo, com um público tímido e um artista reservado. Nick Cave entrou pontualíssimo, acompanhado por apenas três músicos: Jim White, Norman Watt-Roy Martin P. Casey no baixo, Jim Sclavunus na bateria e um surpreendente Warren Ellis, capaz de transformar o seu violino numa guitarra eléctrica zangada e reverbativa. A formação violino – baixo – bateria, aliada à voz grave de Nick Cave, fez-me lembrar por mais do que uma vez a melancolia dos Tindersticks de Stewart Staples.
A nova “fórmula” resultou num registo mais cru do que o habitual (quase como se o público assistisse a um ensaio), com novas versões de temas antigos como “Watching Alice” (de “Tender Prey“), “Lucy” (de “Good Son“) “Sad waters” (de “Your Funeral… My Trial“) e “The singer” (composto por e em homenagem a Johnny Cash, do álbum “Kicking Against the Pricks“).
Esta intimidade contrastava porém com alguma coisa… algo faltou para quebrar o gelo que separava o músico de um público apático, silencioso e relutante em aplaudir ou reagir à música que o envolvia. “You’re very quiet”, queixou-se Nick Cave pouco tempo depois do seu primeiro comentário nessa noite: “You can applaud…”.
Tinham-nos dito que, na noite de Terça-Feira, o concerto tinha sido algo de extraordinário, com uma energia capaz de desencadear três encores. Fernando Magalhães, do jornal O Público escrevera: “O público, escusado dizer, adorou, entrando em delírio quando Cave se aproximou da boca de cena para cumprimentar os fãs, incluindo uma rapariga em transe depois de ter conseguido ser beijada na boca pelo cantor.” Um inegável contraste com a tepidez generalizada de Quarta-Feira, o último concerto da Tour.
A certa altura o Público pareceu querer reagir, com pedidos de músicas e alguns assobios, mas a verdade é que, quando o concerto acabou, foram precisos mais de dois minutos de aplausos para trazer de novo os músicos ao palco. E se o primeiro se podia considerar o encore mais difícil da história da música, o segundo (e último) não lhe ficou atrás…
Norberto Lobo
0Para quem não conhece o músico português, eu vou explicar: o Norberto é um de nós. É boa gente. Sorri quando nos vê, mora na porta ao lado, cumprimenta-nos e chama-nos pelo nome. Mas, de forma urgente e incontornável, aconteceu-lhe a música. E ainda bem que assim foi.
Falava eu da noite de ontem. O Norberto touxe a guitarra e atirou centenas de notas circulares à queima roupa. A catarse foi total: durante uma curta eternidade de 40 minutos, sucederam-se temas de ‘Pata Lenta’ – o disco que apresentou este ano na Casa do Alentejo – que não deixaram espaço para mais nada: ouvímos com o corpo inteiro.
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